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5 de agosto de 2010

Arizona Dream (1993)




Hoje revi Arizona Dream, incursão de Kusturica nos States. Mas abstraia-se o espectador desse pormenor (é difícil) e não se vê diferenças com o seu cinema bósnio (ou jugoslavo?). Arizona Dream é um filme muito onírico e metafórico. O peixe que viaja constantemente nos sonhos de Axel simboliza a sua alma, o seu espírito. O balão simboliza a sua inconstante e indefinida personalidade sempre a “saltar” dum lado para o outro. O seu cinema burlesco e hilariante está todo lá. Arizona Dream é uma tragicomédia subvalorizada e injustamente esquecida. Porque é um grande filme e não se fica nada atrás dos grandes de Kusturica como Underground, Dom Za Vesanje, Crna Macka Beli Macor ou Sjecas li se Dolly Bell. E antes do Tarantino fazer um "hino" ao cinema com o Inglourious Basterds já o Kusturica o tinha feito aqui com o Gallo num papel extraordinário (bem como Deep, Lewis, Dunaway e Lili Taylor).

14 de fevereiro de 2010

Crna Macka, Beli Macor - Gato Preto, Gato Branco (1998)















Cada vez que vejo isto fico mais ciente de que é um filme de génio. Livre, volátil, utópico. Crente, aliás, os filmes de Kusturica são todos optimistas, incluindo Underground. São esperançosos, crentes num futuro melhor, próprios da ferida da guerra.

31 de dezembro de 2009

Sjecas li se, Dolly Bell (1981)


Sabes de que filme me lembrei hoje?
Não! Diz lá.
Do Lembras-te de Dolly Bell do Kusturica. O primeiro grande sucesso dele.
Ai foi? E quê?
Lembrei-me. Sei lá, é um filme muito humano percebes?
Humano? Mas humano em que sentido?
Ó pá, como hei-de explicar… humano no sentido de ressalvar a condição humana, o espírito humano, percebes? A sensação com que fico cada vez que vejo o filme é que Kusturica não quis fazer um filme contra o regime comunista jugoslavo, entendes? Eu acho que, embora seja visível essa procura da decadência social e económica, Kusturica prefere exaltar a condição humana (se bem que esta está adjacente ao factor social e económico) e principalmente o espírito humano, o espírito do Dino sobretudo…
Sim, mas continua a ser um filme político, um filme que pretende enaltecer o povo bósnio acima de tudo. Continua a ser um filme muito nacionalista. Acho eu.
Sim, continua a ser um filme político, como o é o Underground e o When Father Was Away On Business. Mas acho que a condição humana e essencialmente o espírito humano, a determinação, são tudo valores que Kusturica quer enaltecer. O Dino é tipo um pequeno herói, percebes? É à partida como nós, espectador do “caos” social e económico em que vive, mas pequeno herói porque ele vai superando as dificuldades. Olha, repara que o pai está em fase terminal com um cancro e, economicamente, o pai é a razão da subsistência daquela casa, ele apaixona-se pela Dolly Bell, a prostituta, vira-se contra o “máfias” lá da zona e toca na banda. Ou seja, ele faz um percurso normalíssimo de um adolescente inserido num mundo daqueles, mas sobrevive, não entra em mundos obscuros percebes?
Então, no fundo é uma história de um adolescente que serve o propósito do filme?
Também mas não só. É claro que é um filme político, não tanto como se diz, mas é-o. E nacionalista. Mas é sobretudo um manifesto da condição humana e do espírito humano, é essencialmente a história e a sátira de um adolescente que aprende a ser homem.