Dusan Makavejev

Liberdade. Sweet Movie celebra a liberdade acima de tudo. Para isso, Makavejev conta duas histórias (dentro de todo o absurdismo delirante, caótico e extremado da situação político-social da época) sobre duas mulheres e sua relação com o sexo (apoiando-se numa teoria de William Reich, psicanalista divergente de Freud). Há ali uma forte conotação política dentro de todo aquele delírio sádico que extravasa na meia hora final do filme, um meio-termo que não deixa exaltar nem o capitalismo nem o comunismo, uma ridicularização de ambos. Na estirpe do non-sense que cinco anos antes nascia com os britânicos Monty Python (ainda que tudo extremado e com densos contornos alusivos ao Marquês de Sade), Sweet Movie é uma sátira provocatória e delirante da alienação do indivíduo e da depravação mental e sexual que daí resulta.