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8 de julho de 2010

The Good Heart (2009)

Depois de ter visto Nói Albínói, entusiasmado, resolvi ver este mais recente filme de Dagur Kári. O islandês nascido em Paris seguiu as pisadas de muitos outros e rumou aos States para fazer The Good Heart que de good pouco tem. Desilusão quase completa. Ora bem, não é que seja mau de todo, mas depois de um filme como Nói Albínói fazer isto é quase crime. The Good Heart prima (do pouco que prima) pelo ambiente negro que herda do cinema islandês de Kári, em particular a forma como filma essa ambiência em espaços fechados (o bar, o andar por cima do bar, o hospital..) à imagem do que acontecia em Nói. E de Nói Albínói há ainda mais a identificar aqui. The Good Heart acarreta também leves momentos de comédia negra, sarcástica. E a melancolia volta a estar presente assim como uma forma de filmar estática. The Good Heart é no seu todo um filme muito humano, é essa a grande força do filme, o seu humanismo. Mas fora isto (também gostei da interpretação de Brian Cox) o filme é uma decepção completa. Previsível e clichezado, o naturalismo já não está lá, a contemplação idem. The Good Heart não é mau filme, mas está a anos-luz de Nói Albínói.

6 de julho de 2010

Nói Albínói (2003)




Frio, gélido, assim é o cinema de Dagur Kári (falo assim embora seja só o primeiro filme que vejo do islandês). E Nói Albínói é uma gélida (visualmente e temáticamente) história de um adolescente imutável e inadaptado ao meio onde vive. Estático com raras incursões por planos em movimento (que nem travellings lhe podemos chamar), Nói Albínói é um drama com leves (leia-se raros também) momentos de comédia negra. Obscuro e trágico, tragédia que se avizinha desde o início devido a uma ambiência negra que pauta o filme (embora possamos dividir essa ambiência em duas, uma na qual esse tom negro dá corpo a uma proposta trágica que virá [geralmente dentro de espaços ou na rua de noite], e, outra na qual o manto branco da neve traz luz e claridade ao filme [espaços abertos, ar livre]). E essa ambiência negra de que falo é que faz de Nói Albínói um filme melancólico (não só essa obscuridade como também o tom musical que percorre todo o filme). O próprio Nói é um ser melancólico, inconformado com a vida e com o meio disfuncional onde está inserido (vive com a avó e tem com o pai um relacionamento distante e inadequado). Evita a escola persistentemente e sente-se enclausurado, incapaz de conquistar um futuro próspero naquele local. Anseia abandonar aquela vila, apaixona-se e esse desejo ganha força. E a própria tragédia que virá a isso é favorável. Nói Albínói é um filme melancólico, lento, contemplativo e naturalista. Grande filme.