Blade af Satans Bog - Páginas do Livro de Satanás (1921)
Carl T. Dreyer
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2 de julho de 2011
19 de agosto de 2010
Vampyr - Der Traum des Allan Grey (1932)
Vampyr é muito provavelmente o melhor filme de vampiros jamais feito. Negro (do mais negro de Dreyer) e tenebroso a fazer jus à história. Vampyr é filmado como um sonho de terror, um pesadelo do mais obscuro e aterrador possível. A expressividade que Dreyer era capaz de captar como ninguém em mais nenhuma obra dele tem tanta força como aqui (excepto La Passion de Jeanne d'Arc). E é a forma de Dreyer filmar (em 32 já ele mostrava aqueles assombrosos movimentos de câmara) que faz de Vampyr uma obra-prima.15 de agosto de 2010
Vredens Dag - Dia de Cólera (1943)
Vredens Dag remete-nos a um mundo obscuro e tenebroso de outrora, a um mundo de medos e de constantes repressões, ou seja, ao tempo da Inquisição. E na sua essência, Vredens Dag ou Dia de Cólera fala-nos de um amor proibido e ambíguo, fala-nos de uma mentalidade reprimida pela religião e por tudo o que é inerente a isso.
Vredens Dag é um filme negro, obscuro. Nada que a Dreyer seja estranho. Mas há em Vredens Dag algo comum (além de toda a obscuridade presente em quase todas as suas obras) a todo o cinema de Dreyer, a fé. E a fé de Vredens Dag é a mesma de Ordet. Porque tanto em Vredens Dag como em Ordet, Dreyer separa a fé da religião. E tanto em Ordet como neste Vredens Dag o obscurantismo que existe, existe na religião. A hipocrisia da igreja católica e do puritanismo cristão.
Mas sobretudo a expressividade de Lisbeth Movin, o seu olhar, a sua face iluminada (para isso tudo depende das sombras assombrosas de Dreyer, do enquadramento da câmara, dos movimentos de câmara de Dreyer, da sua genialidade). E Lisbeth Movin não é (nem tem a força expressiva) Falconetti, mas mesmo assim é assombrosa. Grande Dreyer.
30 de julho de 2010
Gertrud (1964)
O amor da mulher e o trabalho do homem são inimigos desde o começo.
De Ordet a Gertrud vão nove anos de Dreyer sem filmar. Nove anos que o cineasta dinamarquês levaria para filmar aquela que seria a sua derradeira obra. Gertrud não é Ordet (porque Ordet é um dos mais belos filmes do mundo, a obra maior de Dreyer), mas é certamente um grande filme. De mestre.
Em Gertrud, Dreyer fala do amor (sobretudo o não correspondido e o “perdido”) e da solidão como subterfúgio a essa ausência do amor. Há, estranhamente, uma desmesurada teatralidade em Gertrud (como já havia em Ordet, embora sem essa peculiaridade [os personagens raramente se olham] e exagero). Talvez por isso Gertrud não alcance o que Ordet alcançou, a perfeição. Os filmes de Dreyer são filmes sofríveis, passagens de dor e de palavras sobre a vida. Gertrud é mais um desses ritos do cinema existencialista e expressivo de Dreyer. E a Dreyer reconheça-se-lhe sempre a habilidade de aproximar a câmara no momento certo na procura dessa expressividade do actor (lá está a teatralidade) nos momentos de grande tensão (ou sofrimento/angústia).
Gertrud é um filme negro, obscuro. Filme de sombras e de espaços. Filme de planos longos e morosos. Filme de assombrosos movimentos de câmara e de diálogos. E a forma exímia como Dreyer usa as sombras e a luz a isso anunciam, a essa obscuridade da solidão e da morte do amor. Porque é o que Dreyer “pinta” em Gertrud, a morte do amor. Para Gertrud há uma incompatibilidade entre o amor e o trabalho, ideia formada por Gabriel que ceifou esse amor entre os dois. E o fim desse amor entre Gertrud e Gabriel gera para ela o fim de qualquer amor (excepto o desejo carnal). Mas Erland ressuscita em Gertrud o amor, cria nela a esperança de que pode voltar a amar, de que pode ser feliz. O resto…
Gertrud extravasa a descrença no amor, ou melhor, Dreyer reclama o amor em detrimento do trabalho, diz que o homem troca um pelo outro. Sei lá. Gertrud é orgulhosa, idealista, prefere nunca mais amar do que continuar com Gustav (o marido, quem ela realmente nunca amou). Falhada a relação extra-conjugal com Erland, ela prefere a solidão, o isolamento. E por isso a morte do amor. Porque ao Gertrud colocar o amor acima de tudo, acima de qualquer trabalho de um homem, ao idealizar tal coisa Gertrud fala da morte do amor. Porque tal não é possível. Porque o amor não “enche barriga”. Gertrud é uma obra ambígua. Porque reclama o amor mas ao mesmo tempo traz a traição, a mentira. Traz a infidelidade como resultado dessa morte do amor mas, é essa mesma infidelidade que origina um possível “ressuscitamento” do amor. Mais que idealista, Gertrud é céptica no seu idealismo.
E a Dreyer muitos outros “grandes” (Tarkovsky, Bergman sobretudo, Fassbinder…) foram “beber”. Porque Dreyer foi um dos grandes sem qualquer sombra de dúvidas. E Gertrud não é Ordet, mas é uma maravilha de filme.
1 de junho de 2010
Ordet - A Palavra (1955)
Há dias revi Ordet, obra-prima intemporal.
Como disse Bénard, Ordet é o filme do amor. Beleza das belezas do cinema, Ordet é fé, o Verbo. É vida. Filme da ressureição (novamente Bénard), Ordet é só um dos melhores filmes de sempre. Existem poucos com a intensidade de Ordet, poucos filmes tão belos e tão puros como esta obra-prima de Dreyer. E a Bénard é quase impossível não recorrer (a ele voltarei) quando se fala de Ordet, pois Bénard soube como ninguém falar de Ordet.
Filme de Johannes e de toda a sua fé inabalável (ou direi de Dreyer), filme de planos-sequência sim, mas também filme de cenários, de enclausuramento, de teatralidade (falando do espaço). Filme de paixão, de Deus. E reparando bem, as dunas e o vento de que Bénard falava (enfim, a natureza) são somente filmadas quando se procura por Johannes, quando algo se relaciona com ele. A fé de Johannes (o louco que julga ser Cristo) simboliza a liberdade, simboliza a alegria natura. Ao contrário, toda a falta de fé (Mikkel) ou o esmorecer dessa fé (Morten Borgen - o patriarca) resulta naquele enclausuramento, naquele ambiente sombrio e de descrença da casa dos Borgen, essa metáfora da falta de fé. E tudo se resume à fé e ao amor.
Como diria o João neste artigo, largaria todos os filmes do mundo e ficaria com este.
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