Bruno Dumont
O último Dumont é um Dumont disfarçado, arrasa por completo toda a ambiguidade da fé sem escandalizar como o fez anteriormente. Disfarça-se e manifesta-se sempre distante do choque. É um filme tranquilo mesmo com toda a luta interior daquela jovem. Aproxima-se dum psicologismo existencial e material relativo à fé, às acções do ser humano e às escolhas deste. O cinema de Dumont sempre procurou encontrar quaisquer resquícios de violência no ser humano. Em Hadewijch isso está lá dissimulado, procurando a expressão em detrimento do choque, da crueza (não da imagem mas das emoções). Mas é tudo Dumont puro, a procura das iniquidades da humanidade sobretudo, a violência que todo o ser humano é capacitado, a mente humana. Dumont explora sempre isso nos seus filmes, o seu pessimismo na humanidade. Hadewijch é sobre uma jovem adolescente obcecada por Deus. Diz que o ama, que não pode deixar de o sentir. E para o sentir, para estar mais perto dele, erra no caminho, aventura-se no islamismo. Tudo resulta da sua constante distância da sua classe social, há ali alguma vergonha (leia-se também rejeição) pelo materialismo. Por isso as escolhas em prol desse desejo utópico do amor a Deus. E no final fica a redenção e a mais irónica das conclusões quando aquele homem acabado de sair da prisão a salva, a de que o bem está também no mal, ou melhor, a de que todo o ser humano é bom e mau.

























































