Hoje ao rever o Perfume com a minha mais que tudo, constatei que há ali material para um grande filme, para algo memorável. Mas tudo se desvanece na realização do filme, no cuidado visual, no uso excessivo da banda sonora. Tanto embelezamento estraga o cinema, adultera o seu sentido. Uma história daquelas devia ser filmada friamente, cruamente. Sem embelezamentos, sem maquilhagens, sem musiquinha de fundo. Isso distorce o filme, estraga o cinema. Porque o sentimento que pretende demonstrar apresenta-se falso, forçado. Porque o cinema tem a capacidade de o demonstrar, mas tem de ser naturalmente, tem de ser sem artifícios, sem embelezamentos parolos.
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28 de dezembro de 2010
6 de novembro de 2010
Inception (2010)
Porque alguns seres humanos dizem que só sei dizer que o filme é uma cagada em três actos
No cinema há sempre quem queira por ornatos onde não os há na tentativa desesperada de inventar o que não pode ser inventado. A chamada ornamentação invisível. Classificar Inception como obra-prima ou o mainstream de autor é claramente o caso. Pelo andar da carruagem, qualquer dia temos aí à porta o Stallone de autor ou o porno de autor. Sei lá… Filmar é coisa de miúdos e saber filmar é coisa de graúdos. E o grande problema é que este cinema é coisa de miúdos, logo, coisa para estes, onde tudo dá ares aos videojogos e com visual de videoclips.
No entanto, Inception traz uma premissa interessante. Sonhos e uma filosofia intelectualóide sobre o controlo da mente humana quando inconsciente e a consequente manipulação desta. Qualquer coisa como isto. Interessante premissa sem dúvida. E à partida, pensamos nós, vem-nos à memória um Cocteau (como dizia o Oliveira) ou até um Lynch, e fantasiamos com algum surrealismo existente naquele mundinho de Nolan. Mas engana-se quem assim o imaginou. Surrealismo ou onirismo nem pó. O que há (o conteúdo) é uma historiazinha emocional (sensibilização barata) dum ladrão, o qual viu a mulher se suicidar por ambos (o casal) terem brincado demais nos sonhos (o que resultou numa confusão mental - a dela - sobre a autenticidade da realidade) e que quer voltar para casa para junto dos filhos (os quais não pode ver porque lá nos states pensam que foi ele que matou a mulher), historiazinha que cai por terra (ou na praia como nos inicia o filme) porque tudo o que o cineasta do mainstream de autor mostra são efeitos à Matrix (aliás, o Matrix é inspiração para muita coisa neste Inception, desde os efeitos especiais ao recrutamento do arquitecto [a Paige] e passando pela complexidade que quer atribuir ao complexo realidade/sonho), são filosofias baratas e teorias ridículas sobre como roubar e introduzir ideias dentro dos sonhos (já não bastava a descabida invenção de entrar em sonhos alheios e manipular isso, o homem ainda quis meter ao barulho ideias, inspirações, memórias e sonhos dentro de sonhos e mais sonhos) e, são tiros e mais tiros e explosões atrás de explosões a obstruir o ecrã. Engraçado, fiquei sem saber se aquilo era filme de acção, de ficção científica ou de fantasia (acho até que se adequa mais a este último género porque aquilo tudo não passa de pura fantasia frenética para os putos dos tais videojogos).
O Vasco Câmara tinha toda a razão quando dizia que o Sr. Nolan põe em cena a explicação da anterior e a antecipação da posterior. Tudo é explicadinho ao mais ínfimo pormenor. Aliás, além da teoria e das filosofias baratas que está constantemente a explicar, o cineasta do mainstream de autor cria simbolismos que (também estes) são constantemente explicadinhos ao pormenor (o pião do Di Caprio, a cena das crianças). Sempre presente estão também os clichés habituais que vão desde as personagens (quase todas elas clichezadas) até aos diálogos (excluindo os das explicações daquele enredo de sonhos) e passando por algumas cenas (uma delas quando a Paige vai embora após o seu primeiro sonho mas depois volta [facto que o Di Caprio antecipou]). Aliado a isto tudo temos uma realização banal onde, por vezes, se denotam rasgos de audácia do cineasta com alguns movimentos de câmara (nada que o Cameron e o Scott não saibam fazer). Efeitos slow motion e coisas parecidas dispenso (lá está o videoclip).
Inception é complexo, complicadíssimo com tanto sonho dentro de sonho e introduções e extracções de ideias e inspirações. Mas descomplica-se a ele próprio porque Christopher Nolan não deixa nenhuma ponta solta. Está tudo explicadinho para que o mais leigo dos espectadores possa perceber Inception.
29 de outubro de 2010
14 de outubro de 2010
Chamem-me radicalista ou anti-blockbusters, mas o que é certo é que Inception é uma cagada em três actos (ou três sonhos). Certo certo está o Vasco Câmara:
Bola negríssima para o sr. Nolan e "Origem". Tanto sonho dentro do sonho (causa sono) e o espectador metido num colete de forças. Serve para atordoar, para ninguém se atrever a arriscar: o grande medo deste cinema é que o espectador saia fora do programa e se digne imaginar para lá do que não é mais do que um jogo com vários níveis programados. Se começarmos a imaginar... Os actores estão aqui não para nos darem personagens (que não existem), mas para servirem como educadores que zelam pela ordem. Isto é, para nos explicarem o que se passa a seguir e o que se passou antes - isto é mesmo uma ditadura. Já repararam certamente que eles nunca se calam. É também o medo do sr Nolan (que ainda foi algo esquálido em "Memento" mas que desde então tem acreditado no que têm dito e escrito sobre ele e tem engordado de pretensão a olhos vistos) para que ninguém se dê conta, com tanto barulho, que o rei vai nu.
Bola negríssima para o sr. Nolan e "Origem". Tanto sonho dentro do sonho (causa sono) e o espectador metido num colete de forças. Serve para atordoar, para ninguém se atrever a arriscar: o grande medo deste cinema é que o espectador saia fora do programa e se digne imaginar para lá do que não é mais do que um jogo com vários níveis programados. Se começarmos a imaginar... Os actores estão aqui não para nos darem personagens (que não existem), mas para servirem como educadores que zelam pela ordem. Isto é, para nos explicarem o que se passa a seguir e o que se passou antes - isto é mesmo uma ditadura. Já repararam certamente que eles nunca se calam. É também o medo do sr Nolan (que ainda foi algo esquálido em "Memento" mas que desde então tem acreditado no que têm dito e escrito sobre ele e tem engordado de pretensão a olhos vistos) para que ninguém se dê conta, com tanto barulho, que o rei vai nu.
10 de outubro de 2010
Hierro (2009)
A Hierro confira-se-lhe a percepção de desperdício e desilusão. Desilusão não pela expectativa (primeiro filme de Ibáñez, portanto expectativa zero), mas sim pelo desperdício daquilo que poderia ser. Hierro é um thrillher, algo que oscila entre o mistério e a loucura, entre a realidade e o delírio do choque pós-traumático. E nisso Hierro não falha. Quer dizer, é competente. Porque Ibáñez traz sempre aquele ambiente negro e obscuro necessário a um filme desta natureza, porque consegue ser surpreendente e imprevisível. O desperdício advém do “rebuscamento” visual a que Ibáñez se propõe, à aproximação ao mainstream, aos clichés, a alguma artificialidade que adopta, aos efeitos especiais desnecessários. Hierro tinha potencial para ser um grande filme, ao invés fica-se pela competência no género.23 de setembro de 2010
A propósito de The Perfect Storm
Ontem revi The Perfect Storm e o que me irrita nestas americanadas nem é tanto o sentimentalismo em si mas sim a forma como o exploram. A utilização de uma música de fundo como forma de impulsionar as nossas emoções, o jogo de som/imagem usado claramente para isso, a dramatização (leia-se lamechice) típica neste cinema e que desde o princípio faz adivinhar a tragédia. E sempre com um ou dois romances à mistura para no fim apelar a que se verta uma lágrima com o pretensioso sentido de perda. Na verdade, não vejo grande diferença entre estes blockbusters e as novelas brasileiras.
19 de julho de 2010
12 de julho de 2010
24 de fevereiro de 2010
Three Kings (1999)
Ora bem, ver este filme fez-me voltar a um período negro da minha vida no que toca a cinema. Fez-me voltar a um tempo em que via muita americanada, muito mainstream de Hollywood, o tempo de criança. E, só por isto se revela aqui a minha opinião deste filme.
Para começar, – opinião pessoal – não gosto de Clooney. E muito menos de Ice Cube. Mas, continuando, Three Kings apresenta-se como um filme de guerra, mais propriamente da Guerra do Iraque (actualíssima portanto), mas o cineasta constrói um filme com um ritmo e uma condução narrativa de um filme de acção (e com isto não quero dizer que um filme de guerra não seja, ao fim de contas, um filme de acção. Mas é uma acção diferente, com um ritmo diferente. Um policial sim é um verdadeiro filme de acção, não um filme de guerra). Mas a acção que apresenta é ridícula, puro espectáculo visual exacerbado e desajustado ao filme. Por falar em desajustado, não me posso esquecer de referir a banda sonora completamente desajustada à acção do filme. Isto é, não percebi a ideia de temas musicais dos anos 40/50 quando o filme tem lugar numa guerra dos anos 90. Além disso, Three Kings é um produto mainstream, made in Hollywood e, logo, politicamente correcto.
Nem tudo é ruim, no meio disto tudo descobriu-se algo aceitável. Falo do argumento. Mas mesmo o argumento apresenta falhas, que, embora consistente e bem construído perde credibilidade com o aspecto visual exacerbado e até ridículo que o filme acarreta. Portanto, em Three Kings nem montagem, nem edição se safam. A câmara, essa traz-nos planos normalíssimos, simples e muitas vezes próximos das personagens. E sempre artificial, num ambiente muito maquilhado. Por alguma coisa só ontem vi o filme pela primeira vez.
O filme é sobretudo sensacionalista, patriótico, pretensioso.
E no fim, o pretensiosismo do filme ganha ainda maior relevo, fica ainda mais ridículo (porque é esta a palavra adequada para Three Kings). Típico.
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