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8 de julho de 2011

The Naked Spur (1953)
Anthony Mann

The Naked Spur, filme-remissão do western americano, das montanhosas e rochosas paisagens americanas, western-selvagem que substitui os saloons e as cidades, filme-luz e filme de moral. Nada de negruras ou as que há são as que estão entranhadas nas almas daqueles cowboys. A consciência ou a maturidade do cinema de Mann irrompe na ganância dos homens, na transfiguração de Ben (o foragido à justiça que vale - dead or alive - cinco mil dólares), aos olhos daqueles três homens, como simples objecto que lhes trará tanto dinheiro. É Lina (uma Janet Leigh angelical), ao contrário de Ben, que trará consigo a redenção de Kemp, esse James Stewart de feridas abertas (a da perna provocada pelo tiro dum índio e a da traição de Mary, a mulher do passado) que (re)descobre o amor. No fim fica essa redenção, fica sobretudo a moral de que o amor é mais importante que o dinheiro.

6 de julho de 2011

The Fall Of The Roman Empire (1964)
Anthony Mann
The Tin Star (1957)
Anthony Mann

Fala-se muito nos westerns psicológicos de Mann como principal característica, verdade inegável, coisa que The Tin Star é até ao tutano, filme do recomeço, do voltar a acreditar, implosão irascível que nasce logo no momento inicial do filme, no primeiro plano-sequência, primeiro olhar sobre o homem, a apresentação do caçador de recompensas outrora xerife, homem frio, parco de palavras. Será ali, naquela cidade, que Fonda (ou Hickman) vai receber a maior recompensa de todas, o perdão ao mundo, a Deus, o renascer do homem, do Xerife, do homem da lei e da justiça, o reacreditar. Tudo implode até ao final, até àquele duelo final que traz a recompensa, tanto para Hickman como para Ben Owens, esse outro de justiça e de integridades, é a eminência do confronto até àquele momento, momento-coragem, de confiança, é o triunfo da justiça, o fim dos foras-da-lei ou o prenúncio desse fim, da impunidade dos fora-da-lei dentro da lei. Para Hickman será também a amizade com o puto e a paixão que vai crescendo por Nona que o empurrará para esse recomeço, esse renascer para a vida. O recomeço total, é isso que The Tin Star é, um grande filme sobre o renascer de um homem.

18 de maio de 2011

Men in War é muito mais que um simples filme de guerra, é o abarcar de toda a complexidade moral da guerra, é a força da brutalidade da guerra, coisa feroz, seca e desmesuradamente animalesca, é a veemência do confronto entre o humano e o desumano, a irracionalidade da guerra e a forma como transforma o ser humano. Men in War é sobretudo um filme psicológico, brutal no seu realismo e no tal psicologismo que afecta aqueles homens e as suas decisões, ambiguidade da guerra mas mais importante do ser humano, a resignação da barbaridade da guerra. Anti-guerra acima de todas as coisas.

29 de novembro de 2010

The Great Flamarion (1945)








Há em The Great Flamarion uma capacidade inexplicável de confundir o melodrama com o noir. Melodrama revisitado pelo noir ou noir revisitado pelo melodrama? Parece-me que, mais que noir (e as sombras, a femme fatale, o próprio enredo a isso atestam), The Great Flamarion é um melodrama. Porque é uma história de compaixão pelo criminoso (o anti-herói). Porque o que Mann quer mostrar é que há uma razão para o crime (ou até que a morta merecia aquele destino como diz uma mulher logo nos momentos iniciais). Porque o grande cerne é a traição que aquela mulher faz. Mas o mais importante em The Great Flamarion (além da realização de Mann) é a sobriedade com que o teatro se mistura com o cinema, a materialização da cena (os espectáculos de Flamarion e o do final principalmente). E mais algumas coisas...